<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivo de Destaque - LUPPA</title>
	<atom:link href="https://luppa.comidadoamanha.org/category/destaque/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://luppa.comidadoamanha.org/category/destaque/</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Thu, 01 Oct 2026 17:02:15 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.1.2</generator>

<image>
	<url>https://luppa.comidadoamanha.org/wp-content/uploads/2025/12/favicon-luppa-66x66.png</url>
	<title>Arquivo de Destaque - LUPPA</title>
	<link>https://luppa.comidadoamanha.org/category/destaque/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Missão aproxima experiências brasileiras e europeias com sistemas alimentares urbanos</title>
		<link>https://luppa.comidadoamanha.org/missao-aproxima-experiencias-brasileiras-europeias-sistemas-alimentares-urbanos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Embrapa]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Jun 2023 22:01:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://luppa.comidadoamanha.org/missao-aproxima-experiencias-brasileiras-europeias-sistemas-alimentares-urbanos/</guid>

					<description><![CDATA[<p>Representantes das prefeituras de Curitiba (PR), Maricá (RJ), Recife (PE), Rio Branco (AC) e Santarém (PA), cidades que fazem parte do LUPPA, terão a oportunidade de conhecer programas e políticas de alimentação urbana implementados em cidades europeias durante missão técnica liderada pela Embrapa Alimentos e Territórios de 17 a 27 de junho. A iniciativa faz  [...]</p>
<p>O post <a href="https://luppa.comidadoamanha.org/missao-aproxima-experiencias-brasileiras-europeias-sistemas-alimentares-urbanos/">Missão aproxima experiências brasileiras e europeias com sistemas alimentares urbanos</a> apareceu primeiro em <a href="https://luppa.comidadoamanha.org">LUPPA</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Representantes das prefeituras de <strong>Curitiba</strong> (PR), <strong>Maricá</strong> (RJ), <strong>Recife</strong> (PE), <strong>Rio Branco</strong> (AC) e <strong>Santarém</strong> (PA), cidades que fazem parte do LUPPA, terão a oportunidade de conhecer programas e políticas de alimentação urbana implementados em cidades europeias durante missão técnica liderada pela Embrapa Alimentos e Territórios de 17 a 27 de junho. A iniciativa faz parte do projeto “Cidades e alimentação: governança e boas práticas para alavancar sistemas alimentares urbanos circulares”, financiado pela União Europeia no Brasil por meio do programa Diálogos UE-BR. A missão passará por Valencia, Barcelona, Turim, Milão, Gante e Bruxelas. Na capital da Bélgica, a comitiva brasileira terá encontros bilaterais com representantes dos departamentos da Comissão Europeia envolvidos em ações de fortalecimento de sistemas alimentares urbanos sustentáveis.</p>
<p>Para o analista da Embrapa Alimentos e Territórios Gustavo Porpino, líder do projeto Cidades e Alimentação, as interações com cidades europeias podem fomentar a participação das cidades brasileiras em redes internacionais e incentivar as prefeituras a seguir investindo em programas de fortalecimento da segurança alimentar e nutricional. A equipe do projeto, apoiado pelo <a href="https://www.comidadoamanha.org/" target="_blank" rel="noopener">Instituto Comida do Amanhã</a> e <a href="https://americadosul.iclei.org/" target="_blank" rel="noopener">ICLEI América do Sul</a>, interagiu nos últimos três meses com as equipes das cinco cidades brasileiras envolvidas na governança da agenda de alimentação urbana. “A primeira etapa do projeto, quando realizamos o diagnóstico nas cidades brasileiras, já despertou o interesse das prefeituras de ampliarem alguns programas. Essa vivência internacional pode servir para as cidades se sensibilizarem ainda mais sobre a importância de valorizar iniciativas de fomento a sistemas alimentares urbanos sustentáveis”, ressalta Porpino.</p>
<p>“Estamos muito honrados por Maricá estar presente nessa missão com a Embrapa e a delegação da União Europeia. Embarcaremos nessa jornada com muito entusiasmo e vamos trabalhar para trazer para Maricá ideias inovadoras para impulsionar ainda mais nossos esforços na construção de um sistema alimentar urbano sustentável e inclusivo. Nossos jardins comestíveis se tornaram exemplo para todo o mundo e já recebemos diversas autoridades que puderam conhecer esse projeto. Estamos ansiosos para compartilhar nossas experiências exitosas com outras nações”, destaca Fabiano Horta, prefeito de Maricá.</p>
<p>A nutricionista Sergiane Costa, chefe da divisão de segurança alimentar e nutricional de Rio Branco, avalia que a interação com cidades europeias fortalece “o compromisso local para fortalecer um sistema alimentar urbano sustentável, inclusivo e resiliente em uma comunidade que tem tantas particularidades e almeja aprender com cidades que têm mais experiência e participação em projetos com estratégias para incrementar as equidades social e econômica, produção de alimentos, abastecimento, e redução do desperdício de alimentos”.</p>
<p>“Ao considerar todo o sistema, do campo à mesa, estaremos bem mais posicionados para trabalhar de forma integrada a segurança alimentar. Rio Branco está engajada com a pauta dos sistemas alimentares urbanos sustentáveis, compreendendo que avançar nesta temática é uma alternativa para ampliar a oferta de alimentos saudáveis”, enfatiza Sergiane.</p>
<p>O programa da missão inclui visita ao <a href="https://cemas.global/" target="_blank" rel="noopener">Centro Mundial de Valencia para Alimentação Urbana Sustentável</a> (CEMAS), discussão com a prefeitura de Barcelona sobre o <a href="https://www.alimentaciosostenible.barcelona/es/que-hacemos/proyecto-alimenta" target="_blank" rel="noopener">Projeto Alimenta</a>, reunião técnica com o secretariado do Pacto de Milão para <a href="https://www.milanurbanfoodpolicypact.org/" target="_blank" rel="noopener">política de alimentação urbana</a>, visitas a iniciativas da prefeitura de Gante para redução do desperdício de alimentos, entre outras ações de fortalecimento da agricultura urbana, bancos de alimentos e gastronomia social.</p>
<p>Segundo Juliana Tângari, diretora do Comida do Amanhã e coordenadora geral do LUPPA, cidades do sul global e cidades do norte certamente enfrentam desafios diferentes e têm à sua disposição recursos diferentes. “A troca de experiências é extremamente rica e engrandece tanto o trabalho que vem sendo desenvolvido por aqui como traz possibilidades de futuras cooperações e desenvolvimento sustentável para todos. O retorno do Brasil ao cenário internacional, sediando o encontro do G20 em 2024 e a COP em 2025, mostram que este projeto liderado pela Embrapa não poderia ter vindo em melhor hora!”, afirma.</p>
<p>Imagem: Fazenda Urbana em Curitiba – PR – Gustavo Porpino</p>
<p>O post <a href="https://luppa.comidadoamanha.org/missao-aproxima-experiencias-brasileiras-europeias-sistemas-alimentares-urbanos/">Missão aproxima experiências brasileiras e europeias com sistemas alimentares urbanos</a> apareceu primeiro em <a href="https://luppa.comidadoamanha.org">LUPPA</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Saiba como foi nossa participação no 8º Fórum Global do Pacto de Milão</title>
		<link>https://luppa.comidadoamanha.org/saiba-como-foi-nossa-participacao-8o-forum-global-pacto-milao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[LUPPA]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Nov 2022 19:05:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2a. Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://luppa.comidadoamanha.org/saiba-como-foi-nossa-participacao-8o-forum-global-pacto-milao/</guid>

					<description><![CDATA[<p>O 8º Fórum Global do Pacto de Milão para Política de Alimentação Urbana foi realizado pela primeira vez na América do Sul. O evento cujo tema foi “Comida para nutrir a justiça climática: soluções alimentares urbanas para um mundo mais justo”, ocorreu entre os dias 17 e 19 de Outubro e foi realizado na Cidade  [...]</p>
<p>O post <a href="https://luppa.comidadoamanha.org/saiba-como-foi-nossa-participacao-8o-forum-global-pacto-milao/">Saiba como foi nossa participação no 8º Fórum Global do Pacto de Milão</a> apareceu primeiro em <a href="https://luppa.comidadoamanha.org">LUPPA</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O 8º Fórum Global do Pacto de Milão para Política de Alimentação Urbana foi realizado pela primeira vez na América do Sul. O evento cujo tema foi “<strong>Comida para nutrir a justiça climática: soluções alimentares urbanas para um mundo mais justo</strong>”, ocorreu entre os dias 17 e 19 de Outubro e foi realizado na Cidade das Artes, espaço localizado na Barra da Tijuca, na cidade do Rio de Janeiro.</p>
<h2></h2>
<h2>O que é?</h2>
<p>O <a href="https://www.comidadoamanha.org/post/levaremos-a-experi%C3%AAncia-do-luppa-para-o-encontro-mundial-do-pacto-de-mil%C3%A3o" target="_blank" rel="noopener">Pacto de Milão sobre Política de Alimentação Urbana</a>, um acordo não vinculativo sobre políticas alimentares urbanas “concebido pelas cidades para as cidades”, foi celebrado em outubro de 2015 na cidade italiana que dá nome ao documento e representa um dos legados mais importantes da EXPO 2015, evento mundial cujo tema foi “Nutrir o Planeta, Energia para Vida”. O Pacto estimula a troca de ideias e de sugestões sobre como abordar concretamente problemas comuns relacionados à alimentação. A iniciativa criou uma rede de cidades comprometidas com o desenvolvimento e a implementação de sistemas alimentares sustentáveis. A cada ano o Fórum Global acontece em uma das cidades signatárias do Pacto e o Rio de Janeiro – que aderiu ao Pacto em 2016, foi escolhido para sediar o encontro deste ano. O Rio de Janeiro já tinha recebido o <a href="https://agencia.fiocruz.br/sites/agencia.fiocruz.br/files/u91/mufpp-la_rio_de_janeiro_programacao.pdf" target="_blank" rel="noopener">encontro regional latinoamericano</a> em 2019, com a coordenação da curadoria tendo sido realizada pelo Comida do Amanhã. Além do encontro entre cidades, o Fórum Global também foi palco da <a href="https://comidadoamanha.us14.list-manage.com/track/click?u=119e9ddd477255fd179768acd&#038;id=24bf954011&#038;e=ce0bc9796e" target="_blank" rel="noopener">6ª edição do Prêmio Pacto de Milão</a>. Com mais de 250 práticas coletadas, foram premiados projetos inscritos pelas cidades nas categorias Governança, Dietas Sustentáveis e Nutrição, Equidade Econômica e Social, Produção de Alimentos, Abastecimento e Distribuição de Alimentos e Desperdício de Alimentos. O número de inscrições recebidas este ano superou as expectativas e devido à alta qualidade das contribuições, a Comissão de Avaliação decidiu, além da premiação principal, reconhecer 3 Menções Especiais para cada categoria do Prêmio. Poder participar do encontro global do Pacto de Milão no contexto atual brasileiro é de uma enorme responsabilidade. Como sabemos, a insegurança alimentar no Brasil se agravou, principalmente depois de 2020 com a pandemia de Covid-19, e hoje atinge mais da metade da população brasileira (58,7%), segundo pesquisa realizada pela Rede Penssan, fazendo com que a agenda de combate à fome seja priorizada por governantes da esfera municipal. O Brasil é referência em políticas alimentares e no desenho de modelos de governança exitosos, envolvendo as cidades como principais executoras de uma série dessas políticas. Ao mesmo tempo, a forma como produzimos, abastecemos e consumimos nossos alimentos nunca foi tão sensível ao debate local e internacional – passamos por períodos de desabastecimento, os preços dos alimentos estão em período inflacionário e nosso modelo produtivo tem ameaçado nossos ecossistemas. Temos ainda desafios de saúde pública, com índices de obesidade e de desnutrição crescendo em simultâneo.</p>
<h2></h2>
<h2>LUPPA no Pacto de Milão</h2>
<p>No segundo dia do fórum, o <a href="https://luppa.comidadoamanha.org/">LUPPA – Laboratório Urbano de Políticas Públicas Alimentares</a> – foi tema do painel <strong>Rumo à governança sustentável de sistemas alimentares urbanos no Brasil e na América Latina</strong>, organizado pelo Instituto Comida do Amanhã e pelo ICLEI América do Sul, onde refletimos sobre o papel dos governos locais para a construção de sistemas alimentares mais justos, sustentáveis e circulares a partir da vivência das cidades LUPPA <strong>Araraquara, Curitiba, Maricá, Osasco, Rio Branco e Salvador</strong> e das contribuições da <strong>Coordenadora da Agenda Alimentar da FAO Cecilia Marrochino</strong>. Durante o evento apresentamos um <a href="https://luppa.comidadoamanha.org/noticias-e-atualizacoes/luppa-desenvolve-posicionamento-para-acoes-estaduais-federais-e-internacionais-relacionadas-a-agenda-dos-sistemas-alimentares">posicionamento coletivo desenvolvido por cidades LUPPA indicando ações necessárias por parte de governos estaduais, federais e órgãos internacionais para que possam acelerar o avanço nas suas agendas alimentares</a>, síntese de um trabalho desenvolvido nas <strong>oficinas de acompanhamento do LUPPA</strong>, em que nos propusemos a identificar <strong>questões comuns para o desenvolvimento de políticas alimentares municipais</strong>, buscando refletir sobre a incidência na agenda internacional de 2022 (8º Fórum​ Global do Pacto de Milão sobre Políticas Alimentares Urbanas e COP 27 do Egito) ​​e na agenda dos mandatos estaduais e federais que se iniciam em janeiro de 2023.</p>
<h2>Cidades LUPPA aderem ao Pacto de Milão e são premiadas</h2>
<p>Neste ano, mais 3 cidades brasileiras passaram a integrar o Pacto de Milão sobre Política de Alimentação Urbana. <strong>Maricá, Osasco e Salvador</strong> assinaram o documento de adesão, junto com outras 46 cidades de diversas partes do mundo. As três cidades fazem parte do grupo de municípios participantes doLUPPA – Maricá recém chegada como participante da 2ª edição, ao passo que Osasco e Salvador se juntam ao grupo de cidades mentoras. Elas se juntam à Araraquara, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife, São Paulo e Rio de Janeiro, cidades brasileiras que já faziam parte da rede. Até hoje mais de 250 cidades de todos os continentes já assinaram o Pacto. E duas cidadesLUPPA viram suas iniciativas serem premiadas e reconhecidas como referência na agenda alimentar: <strong>Araraquara</strong> recebeu menção especial na <strong>categoria Governança</strong> pelo projeto <strong>Araraquara Sem Fome</strong>, que implanta hortas urbanas comunitárias em bairros periféricos da cidade.Já a cidade de <strong>Curitiba</strong> recebeu a menção especial na categoria Produção de Alimentos pelo projeto <strong>Fazenda Urbana</strong>, que se destaca por inovar e promover a sustentabilidade na produção de alimentos no Brasil.</p>
<h3>Algumas reflexões a partir da nossa participação no Fórum</h3>
<p>Durante todos os dias do evento, pode-se perceber que dois pontos estavam presentes em grande parte das discussões: a importância da <strong>colaboração</strong>, e o caráter absolutamente <strong>intersetorial</strong> de políticas exitosas que transformam os sistemas alimentares urbanos. A <strong>colaboração</strong> entre diferentes atores (governamentais e não governamentais) é uma forma de unir conhecimento e disseminar estratégias para alcançar objetivos comuns. Já a <strong>intersetorialidade</strong> na estrutura de governança contribui para a implementação de políticas mais robustas, sustentáveis, atentas às dinâmicas territoriais, que respeitem a cultura dos povos locais e que abordem a agenda alimentar local de uma forma efetivamente sistêmica. Aliar essas estratégias integradas a uma atuação conjunta nos diferentes níveis de governança (federal, estadual e municipal) é extremamente importante para mudar o cenário atual e enfrentar os desafios relacionados aos sistemas alimentares. Desta forma, quando falamos em políticas de segurança alimentar, estamos falando da importância do trabalho e engajamento das prefeituras nesta pauta, pois são elas as responsáveis pela execução de grande parte dos programas, ainda que em diálogo e articulação com estruturas estaduais, federais e internacionais. “Encontros como este, que une cidades de diversas regiões do planeta, confirmam um aparente paradoxo: ao mesmo tempo em que há muitas iniciativas semelhantes, apontando para os mesmos caminhos, existem pontos de partida e perspectivas muito diversas, especialmente quando comparamos cidades do Sul e do Norte Global. Não existe um manual detalhado de políticas alimentares locais justamente porque estas devem variar e levar em conta as especificidades de cada território. O que existe em comum é a constatação de que a eficiência dessas políticas e programas é diretamente proporcional à inclusão e engajamento da diversidade de atores do sistema alimentar local. Por isso que o grande tema de impacto desse Fórum do Pacto de Milão foi a governança das políticas alimentares locais e a respectiva capacidade de construção e monitoramento democráticos desses processos de tomada de decisão” ressalta Juliana Tângari, coordenadora geral do LUPPA. A visão sistêmica da alimentação permite que ações sejam feitas de maneira orquestrada, que cada um enxergue seu papel e possa trabalhar de forma comprometida para fazer a transformação acontecer de modo a enfrentar aquilo que historicamente marca o nosso país: a fome, a pobreza e as desigualdades sociais.</p>
<h2></h2>
<h2>Experiências locais</h2>
<p>Além dos momentos de trocas entre cidades ocorridos na plenária e nos painéis, os participantes do Fórum tiveram a oportunidade de conhecer de perto algumas das iniciativas realizadas nos municípios da região. No último dia do evento alguns dos representantes presentes no Fórum tiveram a oportunidade de conhecer experiências locais exitosas. Alguns participantes visitaram a horta Dirce Teixeira, no Jardim Anil, uma das 56 hortas do programa Hortas Cariocas, coordenado pela Secretaria Municipal do Ambiente e Clima do Rio de Janeiro. No ano de 2019 o programa foi premiado com menção honrosa no Pacto de Milão na categoria Produção Alimentar (2019). Outros participantes tiveram a oportunidade de visitar a cidade de Maricá e conhecer a Praça Agroecológica de Araçatiba, local onde o plantio de verduras e hortaliças fica disponível para a população. Em seguida, a delegação que visitou a cidade, visitou a Fábrica de Desidratados e a Fazenda Pública Joaquín Piñero, espaço experimental e pedagógico destinado à produção e ensino para a comunidade local. Essas foram excelentes oportunidades para trocar conhecimento e experiências in loco, fortalecendo a cooperação entre cidades.</p>
<h2></h2>
<h2>Uma oportunidade para a agenda de Comida e Cidades</h2>
<p>Poder fazer parte desse evento nos trouxe a oportunidade de aprofundar nossas trocas com cidades de diversos tamanhos e realidades e ainda fortalecer cada vez mais nossa atuação com foco em apoiar a transformação dos sistemas alimentares urbanos, buscando garantir cidades resilientes com alimentos saudáveis, justos, e acessíveis a todos. Ver cidades LUPPA trazendo exemplos para o mundo, acompanhar seu engajamento, e poder testemunhar seu reconhecimento a partir de trocas e premiações entregues, é para nós uma alegria e um orgulho. A agenda é urgente, e as cidades estão se posicionando cada vez mais como protagonistas.</p>
<p>O post <a href="https://luppa.comidadoamanha.org/saiba-como-foi-nossa-participacao-8o-forum-global-pacto-milao/">Saiba como foi nossa participação no 8º Fórum Global do Pacto de Milão</a> apareceu primeiro em <a href="https://luppa.comidadoamanha.org">LUPPA</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Rio Branco realiza oficina com representantes da sociedade civil em mais uma atividade apoiada pelo LUPPA</title>
		<link>https://luppa.comidadoamanha.org/rio-branco-realiza-oficina-com-representantes-da-sociedade-civil-em-mais-uma-atividade-apoiada-pelo-luppa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[LUPPA]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Jun 2022 17:06:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://luppa.comidadoamanha.org/rio-branco-realiza-oficina-com-representantes-da-sociedade-civil-em-mais-uma-atividade-apoiada-pelo-luppa/</guid>

					<description><![CDATA[<p>Em continuidade ao trabalho que Rio Branco está desenvolvendo, em conjunto com o LUPPA, nesta quinta-feira, 09 de junho, foi o dia da gestão municipal se reunir com representantes da sociedade civil para divulgar que será publicado o edital para a recomposição do conselho municipal de segurança alimentar e nutricional – CONSEA e realizar oficina  [...]</p>
<p>O post <a href="https://luppa.comidadoamanha.org/rio-branco-realiza-oficina-com-representantes-da-sociedade-civil-em-mais-uma-atividade-apoiada-pelo-luppa/">Rio Branco realiza oficina com representantes da sociedade civil em mais uma atividade apoiada pelo LUPPA</a> apareceu primeiro em <a href="https://luppa.comidadoamanha.org">LUPPA</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em continuidade ao trabalho que Rio Branco está desenvolvendo, em conjunto com o LUPPA, nesta quinta-feira, 09 de junho, foi o dia da gestão municipal se reunir com representantes da sociedade civil para divulgar que será publicado o <strong>edital para a recomposição do conselho municipal de segurança alimentar e nutricional – CONSEA</strong> e realizar oficina de trabalho unindo sociedade civil e a Câmara Técnica da CAISAN.</p>
<p>Participaram do evento 9 representantes da sociedade civil, vindos de conselhos, associações, institutos, fundações, ONGs, entidades e do Sistema S. O foco da oficina foi ouvir suas demandas e refletir a partir das seguintes perguntas norteadoras: <strong>Como a Sociedade Civil e Câmara Técnica da CAISAN podem cooperar para atender as demandas legítimas da população e garantir o direito humano à alimentação? Quais são as prioridades?</strong></p>
<p>Os participantes foram divididos em grupos e ao final da dinâmica foi realizada uma colheita em que os representantes da sociedade civil puderam compartilhar o andamento do trabalho conjunto.</p>
<p>As atividades reforçam a importância da aproximação da gestão municipal com a sociedade civil local. Criar sistemas alimentares mais justos e sustentáveis exige soluções variadas e não existe um modelo que atenda a todos. Cada território tem seus próprios desafios, suas necessidades mais centrais e emergentes e a criatividade necessária para enfrentar os desafios contemporâneos do sistema alimentar vem, muitas vezes, das vozes da sociedade civil organizada.</p>
<p>O post <a href="https://luppa.comidadoamanha.org/rio-branco-realiza-oficina-com-representantes-da-sociedade-civil-em-mais-uma-atividade-apoiada-pelo-luppa/">Rio Branco realiza oficina com representantes da sociedade civil em mais uma atividade apoiada pelo LUPPA</a> apareceu primeiro em <a href="https://luppa.comidadoamanha.org">LUPPA</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A vez da agricultura urbana</title>
		<link>https://luppa.comidadoamanha.org/a-vez-da-agricultura-urbana/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Frances Jones - Pesquisa Fapesp]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Dec 2021 16:20:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://luppa.comidadoamanha.org/a-vez-da-agricultura-urbana/</guid>

					<description><![CDATA[<p>Horta cultivada no telhado do Shopping Eldorado, um dos maiores da capital paulista. Foto de Léo Ramos Chaves  As primeiras semanas da pandemia de Covid-19 em 2020, quando medidas de isolamento social foram implementadas e seguidas por parte razoável da população brasileira, expuseram uma fragilidade do sistema de abastecimento de alimentos. Cenas que  [...]</p>
<p>O post <a href="https://luppa.comidadoamanha.org/a-vez-da-agricultura-urbana/">A vez da agricultura urbana</a> apareceu primeiro em <a href="https://luppa.comidadoamanha.org">LUPPA</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_82" style="width: 1150px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-82" class="wp-image-82 size-full" src="https://luppa.comidadoamanha.org/wp-content/uploads/2023/12/pg_texto_08-01.jpg" alt="A vez da agricultura urbana" width="1140" height="641" /><p id="caption-attachment-82" class="wp-caption-text">Horta cultivada no telhado do Shopping Eldorado, um dos maiores da capital paulista. Foto de Léo Ramos Chaves</p></div>
<p>As primeiras semanas da pandemia de Covid-19 em 2020, quando medidas de isolamento social foram implementadas e seguidas por parte razoável da população brasileira, expuseram uma fragilidade do sistema de abastecimento de alimentos. Cenas que haviam sido vistas em outra crise, dois anos antes, na greve dos caminhoneiros, repetiram-se: ao mesmo tempo que supermercados estavam em parte desabastecidos, alimentos frescos e próprios para consumo eram descartados, uma vez que as cadeias de escoamento de produtos foram rompidas. O impacto nesse sistema produtivo foi sentido em grande medida porque boa parcela do que se consome nas cidades é produzida fora delas e por ter havido uma quebra nas cadeias de transporte e nos canais de comercialização. “Com a pandemia, percebeu-se que é importante fortalecer a produção local. O pequeno ou médio agricultor que se deu melhor foi aquele que fez uma conexão direta com o consumidor, por exemplo com entrega de cestas, sem intermediários”, afirma a médica Thais Mauad, coordenadora do Grupo de Estudos em Agricultura Urbana do Instituto de Estudos Avançados (Geau-IEA) da Universidade de São Paulo (USP) e professora da Faculdade de Medicina (FM) da instituição.</p>
<p>Embora a pandemia tenha colocado em evidência a agricultura praticada dentro e no entorno dos municípios e das metrópoles, o movimento para tornar as áreas urbanas mais verdes e sustentáveis vem ganhando força, no Brasil e no mundo, desde o início dos anos 2000. Essa tendência acompanha a evolução dos estudos e das evidências da emergência climática em que o planeta se encontra por causa do aquecimento global, bem como do crescimento vertiginoso das cidades nas mais variadas regiões do planeta. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2015, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 85% da população brasileira vive em áreas urbanas e apenas 15% no meio rural. No Sudeste, a parcela que mora nas cidades chega a 93%.</p>
<p>A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) estima que 80% da produção global de alimentos seja destinada ao consumo em áreas urbanas. Essas regiões produziam, em 2018, 15% dos alimentos do mundo, de acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda). O conceito de agricultura urbana e periurbana (conhecida pela sigla AUP ou UPA) é objeto de debate entre acadêmicos e formuladores de políticas públicas, mas de forma geral abrange a produção agrícola e pecuária desenvolvida no interior do perímetro urbano dos municípios e nas franjas das cidades.</p>
<p>A atividade inclui tanto a produção para fins comerciais e de autoconsumo familiar e comunitário como para outras finalidades, como as educativas, de ativismo e de lazer. Assim, desde as plantas cultivadas num terraço ou num quintal para consumo próprio até os telhados verdes, as fazendas verticais de alta tecnologia, as hortas comunitárias ou plantações mais convencionais dentro ou no entorno do perímetro urbano estão englobadas nessa definição. Ela é praticada por indivíduos ou organizações formais ou informais, em espaços públicos ou privados, dentro das mais diferentes condições sociais, em todas as regiões do Brasil, frequentemente com pouco ou nenhum apoio de políticas públicas.</p>
<p>Com isso, obter dados sobre esse tipo de agricultura no país é um desafio e não há informações consolidadas sobre a produção no território nacional. O Censo Agropecuário do IBGE, a principal investigação estatística sobre a estrutura e a produção agropecuária do Brasil, não distingue a agricultura urbana na divulgação de seus dados. “Esse é um tema já bastante debatido por quem pesquisa agricultura urbana e pelo próprio IBGE, uma vez que os setores censitários [menor unidade territorial para a qual o instituto divulga informações] seguem a divisão político-administrativa. A definição de território urbano e rural é de competência da municipalidade e implica questões tributárias, gerando uma grande dificuldade em estabelecer critérios objetivos sobre o que é urbano e o que é rural nacionalmente no âmbito das políticas públicas”, diz a pesquisadora em agricultura de base familiar Vitória Leão, analista de projetos do Instituto Escolhas, associação civil sem fins lucrativos sediada na capital paulista, e integrante do Geau-IEA. Assim, os pesquisadores que estudam o tema têm de se debruçar sobre os microdados de cada um dos 5.568 municípios do país.</p>
<div id="attachment_83" style="width: 1150px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-83" class="wp-image-83 size-full" src="https://luppa.comidadoamanha.org/wp-content/uploads/2023/12/pg_texto_08-02.jpg" alt="Plantação comunitária de verduras e hortaliças no Centro Cultural São Paulo, próximo ao centro da cidade. Foto de Léo Ramos Chaves" width="1140" height="641" /><p id="caption-attachment-83" class="wp-caption-text">Plantação comunitária de verduras e hortaliças no Centro Cultural São Paulo, próximo ao centro da cidade. Foto de Léo Ramos Chaves</p></div>
<h2>Redução da pobreza</h2>
<p>De acordo com a FAO, ao estimular as pessoas a produzir seu próprio alimento ou obtê-lo em hortas comunitárias, a agricultura praticada nas cidades é capaz de reduzir a pobreza e a insegurança alimentar agravadas pela urbanização, ao mesmo tempo que pode melhorar a saúde dos moradores urbanos e preservar o ambiente. Por isso, considera uma prioridade estimular esse tipo de produção, ressaltando a importância da inclusão do tema no planejamento urbano. O período da pandemia também foi marcado pelo agravamento da insegurança alimentar no mundo, inclusive no Brasil, onde estimados 19 milhões de pessoas enfrentavam a fome em 2020, segundo relatório da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (Rede Penssan).</p>
<p>Uma simulação feita pelo Instituto Escolhas indica que a agricultura praticada na metrópole de São Paulo, incluindo áreas urbanas, tem o potencial de abastecer 20 milhões de pessoas anualmente com legumes e verduras e gerar 180 mil empregos, com uso apenas das terras empregadas hoje como pastagem e sem ocupar áreas florestais e de preservação ambiental. O censo agropecuário de 2017 do IBGE apontou que os 5 mil estabelecimentos agropecuários da Região Metropolitana de São Paulo empregavam 20 mil pessoas quando a pesquisa foi realizada.</p>
<p>Levando em conta somente o total de terrenos ociosos no distrito de Sapopemba, na zona leste da capital – uma área de 200 hectares, o equivalente a 200 quadras –, a produção seria suficiente para abastecer 80 mil pessoas com legumes e verduras. O número de famílias contempladas seria 1,5 vez maior que a quantidade cadastrada no programa Bolsa Família naquele distrito, segundo o Instituto Escolhas.</p>
<p>Em artigo publicado no início de 2021 na revista Estudos Avançados, um grupo de pesquisadores coordenado por Mauad esmiuçou as informações sobre o município de São Paulo e mostrou que, mesmo com uma evidente subnotificação de dados, se percebe um incremento na agricultura da cidade nos últimos 15 anos. Comparando os dados do Censo Agropecuário de 2006 com o de 2017, o mais recente, constata-se que o número de estabelecimentos agropecuários aumentou de 193 para 550. Além disso, a área de agricultura usada para fins de comercialização subiu de 8 mil hectares para quase 11 mil hectares no mesmo período. O IBGE considera estabelecimento agropecuário toda unidade de produção ou exploração dedicada, de forma integral ou parcial, a atividades agropecuárias, florestais e ligadas à aquicultura, independentemente do tamanho, da forma jurídica e de estar na área rural ou urbana, seja para comercialização ou subsistência.</p>
<p>Segundo o Levantamento Censitário das Unidades de Produção Agropecuária (UPA) do Estado de São Paulo, houve um crescimento de aproximadamente 22% no número de UPA e de 33% em área de produção entre 2007/2008 e 2016/2017 na capital paulista. O cultivo de alface estava presente em 102 unidades de produção no último levantamento, indicando a mais ampla cultura, pelo critério de número de estabelecimentos em 2017. Outros plantios de destaque eram os de couve (em 93 UPA) e brócolis (65). Em relação à área ocupada, havia 247 hectares (ha) destinados à braquiária, capim utilizado para alimentação do gado. A pastagem era seguida pela floricultura para corte (231 ha) e pela produção de alface (222 ha).</p>
<p>A plataforma Sampa+Rural, da prefeitura de São Paulo, registrava no início de novembro 735 unidades de produção agropecuária, a maioria (574) na região sul e 60% em áreas cujo tamanho vai de 0,1 a 5 ha, e 28% chefiadas por mulheres. Mas a agricultura urbana se espalha por todo o país e encontra exemplos de atividades fortes e bem-sucedidas em cidades como Belo Horizonte, em Minas Gerais; Rio de Janeiro, como no programa Hortas Cariocas; Maringá e Curitiba, no Paraná; Teresina, no Piauí, entre outros.</p>
<p>Os pesquisadores ressaltam que nem só de produção comercial vive a agricultura nas cidades. “Quando falamos de agricultura urbana, estamos falando de um vasto universo. Ela é de fato uma prática plural”, observa o geógrafo Gustavo Nagib, que concluiu o seu doutorado em 2020 analisando o espaço da agricultura urbana como ativismo, com foco nos casos de Paris e de São Paulo.</p>
<p>“A agricultura urbana nos permite repensar as condições socioambientais do ponto de vista da ecologia urbana, da integração campo-cidade e da reintrodução de biodiversidade nas cidades, sejam animais, como insetos polinizadores, ou plantas com as quais podemos nos alimentar”, afirma Nagib. “Por outro lado, também nos possibilita atuar no combate à fome e à precariedade, trazendo a possibilidade de as pessoas economizarem recursos e ganharem autonomia ao produzirem o próprio alimento.”</p>
<p>Autor do livro Agricultura urbana como ativismo na cidade de São Paulo, Nagib explica que, sob a perspectiva ativista, o discurso e a prática da agricultura urbana voltam-se para a reocupação dos espaços públicos da cidade e o restabelecimento do contato com a natureza. Destaca também que o movimento propõe o estreitamento dos vínculos sociais possivelmente perdidos nos grandes centros e busca chamar a atenção do que é um trabalho coletivo e do que é um espaço público de uso coletivo. Não por acaso a agricultura praticada nas cidades e em seus arredores também segue muitas vezes os princípios da agroecologia, baseados no respeito a todas as formas de vida, que buscam se afastar de abordagens puramente antropocêntricas (centradas no ser humano).</p>
<p>Valendo-se de técnicas mais tradicionais, como as praticadas pelos povos indígenas, cooperativas, associações e comunidades têm crescido e aproveitado os frutos da agricultura urbana. “Essa prática ganha força principalmente em momentos de crise econômica, porque as pessoas perdem poder de compra e não têm como adquirir alimento”, diz a geógrafa Angélica Nakamura, cujo mestrado esmiuçou o trabalho da Cooperativa dos Produtores Rurais e de Água Limpa de São Paulo (Cooperapas), formada por agricultores agroecológicos no extremo sul do município de São Paulo, uma região de mananciais.</p>
<p>Caminhando em sentido muitas vezes contrário ao do discurso ativista – mas aproveitando a demanda crescente por uma produção local de alimentos e sem uso de agrotóxicos –, grandes cidades do mundo observam o surgimento de uma nova geração de fazendas verticais, nas quais plantas podem ser cultivadas sem uso de nenhum grão de terra.</p>
<p>Utilizando sistemas de hidroponia (nas quais os vegetais são cultivados em solução aquosa), aeroponia (sistema em que as plantas não entram em contato com a água, apenas com o seu vapor) ou aquaponia (hidroponia com criação de peixes), essas empresas recorrem a avanços tecnológicos proporcionados pela Internet das Coisas, aprendizagem de máquina e computação embarcada para controlar parcial ou totalmente o ambiente das plantações. Em locais fechados, as variações do clima, questão essencial no campo, não interferem na produção.</p>
<div id="attachment_84" style="width: 1150px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-84" class="wp-image-84 size-full" src="https://luppa.comidadoamanha.org/wp-content/uploads/2023/12/pg_texto_08-03.jpg" alt="Plataforma Babilônia para cultivo de alimentos em locais abertos criada por startup. Foto por Milton Godoy Saito" width="1140" height="855" /><p id="caption-attachment-84" class="wp-caption-text">Plataforma Babilônia para cultivo de alimentos em locais abertos criada por startup. Foto por Milton Godoy Saito</p></div>
<p>Na capital paulista, uma das maiores é a Pink Farms, que mantém uma fazenda-piloto high tech, com uma sala de cultivo de 150 metros quadrados (m2) na zona oeste da cidade. Nela, é produzida atualmente 1,5 tonelada (t) de alface hidropônica por mês em uma torre que ocupa menos de 70 m2 com 10 níveis (ou andares). A expectativa é chegar a 3 t por mês, quando uma segunda torre estiver finalizada em novembro. A empresa também produz mensalmente entre 100 e 200 quilos de brotos, chamados microgreens (como de alho-poró, cenoura, coentro, couve, mostarda, entre outros). As plantas ficam flutuando em bandejas com uma solução nutritiva. De acordo com a empresa, empregam-se 60% menos fertilizantes do que na agricultura convencional. Há também economia de água, que pode ser reutilizada ao longo de até 60 dias antes do descarte.</p>
<p>“Em termos de eficiência, de produtividade por área, somos muito superiores ao campo. Conseguimos otimizar a questão do espaço, com o adensamento das plantas e a verticalização”, conta o engenheiro de produção Henrique Pauli, responsável pela operação da Pink Farms. Boa parte do processo é automatizada, incluindo o controle da temperatura, de umidade, da luminosidade e de emissão de gases, como o gás carbônico, para acelerar a fotossíntese. O custo para a operação, no entanto, é maior do que o do plantio convencional – a empresa não divulga os números.</p>
<p>A iluminação se dá por luzes do tipo LED, uma mistura de cores azul e vermelha, conferindo uma tonalidade rosa ao local – daí vem o nome da empresa. Segundo a engenheira-agrônoma da Pink Farms, Luana Borges, o LED simula a luz solar e acelera o processo de fotossíntese das plantas. A ideia é ter um ambiente o mais estéril possível, evitando a contaminação por bactérias, vírus e protozoários. “Na nossa fazenda atual, os processos de colheita e transplantes ainda são feitos de forma manual, por funcionários, mas, para a nova fazenda, programada para começar a operar no ano que vem, tudo isso e o processo de embalagem serão automatizados. A intenção é inserir robôs para ganho de escala”, informa Pauli. A empresa está em fase de captação de recursos para a expansão do empreendimento e a construção de novas instalações, que deverão contar com painéis solares e/ou eólicos para reduzir o custo com energia elétrica, bem como tecnologia para reutilização de 100% da água.</p>
<p>Uma referência para a Pink Farms é a empresa norte-americana AeroFarms, fundada em 2004, com sede em Nova Jersey, que hoje comercializa 550 variedades de frutas e verduras produzidas em ambientes controlados – em espaços reformados que já foram fábricas, campos de paintball e até uma danceteria abandonada. A AeroFarms participa da construção do que promete ser a maior fazenda vertical do mundo em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, país que sofre de severa escassez hídrica. A maior empresa de fazenda vertical nos EUA é a Bowery, com sede em Manhattan, em Nova York, que tem entre seus investidores o músico Justin Timberlake e a atriz Natalie Portman, segundo o jornal The New York Times.</p>
<p>No estado de São Paulo, o engenheiro de computação Milton Yukio Godoy Saito desenvolve, com o apoio do programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe) da FAPESP, uma plataforma de fazenda vertical urbana sustentável para locais abertos, planejada inicialmente para ser instalada em telhados de shoppings e condomínios empresariais. Chamado de Babilônia, o modelo usa luz natural (evitando custos com energia elétrica), dispensa agrotóxicos e fertilizantes químicos e tem sensores que identificam a umidade do substrato utilizado, produzido a partir de resíduos orgânicos. Apesar de contar com tubos de PVC como os da hidroponia em sistemas modulares, a plataforma utiliza terra e cria um ambiente semicontrolado, diferente dos ambientes totalmente controlados da Pink Farms, por exemplo. Com um sistema de irrigação inteligente, sensores avaliam as unidades produtivas minuto a minuto.</p>
<p>“O grande desafio que encontramos até agora é que os consumidores finais ainda não enxergam valor em uma hortaliça com baixa pegada de carbono. As pessoas não levam em conta que existe toda uma cadeia entre a produção e o varejo, que envolve desperdício e consumo de combustível fóssil. Quando entra o lado financeiro, optam pelo mais barato ou pelas folhas maiores e mais verdes”, afirma Saito.</p>
<div id="attachment_85" style="width: 310px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-85" class="wp-image-85 size-medium" src="https://luppa.comidadoamanha.org/wp-content/uploads/2023/12/pg_texto_08-04-300x200.jpg" alt="Empresa paulista Pink Farms utiliza em sua fazenda-piloto luzes LED coloridas que emulam a radiação solar. Foto de Léo Ramos Chaves" width="300" height="200" /><p id="caption-attachment-85" class="wp-caption-text">Empresa paulista Pink Farms utiliza em sua fazenda-piloto luzes LED coloridas que emulam a radiação solar. Foto de Léo Ramos Chaves</p></div>
<p>Ainda estudando o modelo de negócio ideal para a plataforma, o engenheiro conta que busca investimentos fora do Brasil, em especial no Oriente Médio e na Europa, para turbinar o negócio. “É onde vemos mais oportunidades. Nós ainda estamos engatinhando por aqui nessa área.” Ele também diz que já foi muito questionado sobre a necessidade de fazendas urbanas verticais em um país como o Brasil, com grande extensão de terras. “A gente se esquece de que as terras aqui estão se tornando cada vez mais inapropriadas para a agricultura e a água tem ficado escassa. São questões que ficarão mais visíveis no médio e longo prazos.”</p>
<p>Também de olho no mercado europeu, a empresa paulista Instituto Cidade Jardim desenvolveu, com suporte do programa Pipe-FAPESP, um sistema de telha hidropônica cultivável que dispensa a impermeabilização prévia da laje. A telha sanduíche própria para cultivo foi batizada de Kaatop e a nona versão dela está sendo aprimorada, com o objetivo de baratear os custos. Há patentes aprovadas no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa.</p>
<p>“O teto verde é legal porque é uma tecnologia multifuncional. É uma ferramenta que não trata só do eixo de sustentabilidade relacionado a água, energia ou bem-estar, mas ajuda a resolver diversos problemas ao mesmo tempo: melhora a qualidade do ar, sequestra carbono, produz alimento, reduz consumo de energia elétrica e diminui enxurradas nas cidades”, diz o engenheiro-agrônomo Sérgio Rocha, sócio-fundador da startup, que também faz projetos com o sistema tradicional de telhados verdes, com bandejas modulares de plástico dispostas em lajes impermeabilizadas.</p>
<p>“O mercado de telhados verdes no mundo hoje é talvez um dos mais promissores e ativos de tecnologias regenerativas [que buscam mitigar os danos ambientais produzidos pelo homem]. Só na Europa movimenta quase 500 milhões de euros por ano e isso apenas em coberturas planas”, comenta. Ele observa, no entanto, que se trata de uma tecnologia cara, acessível no momento apenas a empresas ou a donos de residências de alto padrão.</p>
<p>O Instituto Cidade Jardim também tem uma vertente ativista e de conscientização para utilização de boas práticas, com foco nos telhados. “Queremos que as pessoas vejam os tetos como espaços de transformação. Pouca gente percebe, mas eles são responsáveis por grande parte dos problemas das cidades, já que a maior parte da superfície urbana é ocupada por telhados e lajes. Ter área verde sobre nossas cabeças pode ajudar a solucionar um monte de patologias urbanas”, diz Rocha. Segundo ele, dependendo do tipo de teto verde, é possível reter mais de 70% do volume de chuvas. “Juntamente com outras ferramentas de planejamento urbano, os tetos verdes têm um potencial enorme para contribuir com o combate às enchentes – além de produzir alimentos para os moradores das cidades.”</p>
<h3>Projetos</h3>
<ol>
<li>Telha Sanduíche Cultivável: um novo sistema para telhados verdes que não demanda impermeabilização e coloca o mercado de telhas na mira da sustentabilidade (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/97528/telha-sanduiche-cultivavel-um-novo-sistema-para-telhados-verdes-que-nao-demanda-impermeabilizacao-e-/" target="_blank" rel="noopener">nº 16/10264-3</a>) Modalidade Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe) per já voFinep Pipe-Pappe Subvenção; Pesquisador responsável Sérgio Fausto Rizzi Rocha (Instituto Cidade Jardim); Investimento R$ 121.565,06.</li>
<li>Criando uma plataforma para a agricultura sustentável em espaços urbanos (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/106972/criando-uma-plataforma-para-a-agricultura-sustentavel-em-espacos-urbanos/" target="_blank" rel="noopener">nº 19/01050-8</a>) Modalidade Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe); Pesquisador responsável Milton Yukio Godoy Saito; Investimento R$ 89.772,89.</li>
</ol>
<h3>Artigos científicos</h3>
<p>AMATO-LOURENÇO, L. F. et al. <a href="https://link.springer.com/article/10.1007/s10668-020-00636-x" target="_blank" rel="noopener">Building knowledge in urban agriculture: the challenges of local food production in Sao Paulo and Melbourne</a>. Environment, development and sustainability. v. 23, n. 2, p. 2785-96, 2021.<br />
NAGIB, G. et al. <a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S2211912420300328" target="_blank" rel="noopener">Urban agriculture in the city of São Paulo: New spatial transformations and ongoing challenges to guarantee the production and consumption of healthy food</a>. Global Food Security – Agriculture, Policy, Economics and Environment. v. 26, p. 1-7, 2020.<br />
BIAZOTI, A.R. et al. <a href="https://www.mdpi.com/2071-1050/13/11/6185" target="_blank" rel="noopener">The Impact of COVID-19 on Urban Agriculture in São Paulo, Brazil</a>. Sustainability. V.13, p.6185, 2021.</p>
<p>Este texto foi originalmente publicado por <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/" target="_blank" rel="noopener">Pesquisa FAPESP</a> de acordo com a <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nd/4.0/" target="_blank" rel="noopener">licença Creative Commons CC-BY-NC-ND</a>. Leia o <a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/a-vez-da-agricultura-urbana/" target="_blank" rel="noopener">original aqui</a>.</p>
<p>O post <a href="https://luppa.comidadoamanha.org/a-vez-da-agricultura-urbana/">A vez da agricultura urbana</a> apareceu primeiro em <a href="https://luppa.comidadoamanha.org">LUPPA</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
